sexta-feira, 8 de maio de 2015

Moisés, um Sábio Recebendo Conselhos - 10 de maio de 2015

Texto áureo
“E escolheu Moisés homens capazes, de todo o Israel, e o pôs por cabeças sobre o povo; maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinquenta e maiorais de dez.” Êx 18.25.

Verdade aplicada
A unção e o chamado são qualidades indispensáveis a um líder, mas a capacidade de ouvir e aprender são imprescindíveis para o avanço ministerial.

Textos de referência
Êxodo 18.17-20 e 24
17 O sogro de Moisés, porém, lhe replicou: Não é bom o que fazes.
18 Certamente desfalecerás, assim tu como este povo que está contigo; porque isto te é pesado demais; tu só não o podes fazer.
19 Ouve agora a minha voz; eu te aconselharei, e seja Deus contigo. Sê tu pelo povo diante de Deus e leva tu as causas a Deus;
20 Ensinar-lhes-ás os estatutos e as leis e lhes mostrarás o caminho em que devem andar, e a obra que devem fazer.
24 E Moisés deu ouvidos à voz de seu sogro, e fez tudo quanto este lhe dissera;

INTRODUÇÃO
A ilustre visita de seu sogro, que trazia consigo pessoas muito queridas, bem como sábios conselhos administrativos ligados ao campo jurídico, revolucionaram o trabalho de Moisés e a história de Israel.

INTRODUÇÃO
A Palavra de Deus diz: “não havendo sábios conselhos, o povo cai; mas havendo uma multidão de conselheiros haverá segurança” (Pv 11.14). Na lição desta semana conheceremos alguns sábios conselhos transmitidos por Jetro a Moisés, seu genro, que refletiram diretamente no sucesso de sua liderança e uma enorme contribuição para as áreas de gerenciamento e seguimentos administrativos. Estes princípios e métodos de delegação e descentralização influenciam, até os dias de hoje, diversas empresas, escritórios, consultórios etc. A convicção e sabedoria com que aconselhou o grande líder, Moisés, mostra que Jetro não era apenas um homem de visão, mas também, um excelente administrador e consultor gerencial.

1. Moisés recebe Jetro.
A visita de Jetro influenciou a vida de Moisés. Jetro era um sacerdote experiente, um homem do deserto. Moisés, seu genro, era um homem extraordinário potencial e era possuidor de um “espírito ensinável”, uma qualidade do líder que deseja ter sucesso diante de Deus e dos homens.

1. MOISÉS RECEBE JETRO
Jetro pertencia ao povo de Midiã (ou Madian), também conhecido como “queneus” (Nm 24.21), eram habitantes das regiões montanhosas que ficam a leste do Golfo de Ácaba e descendentes diretos do quarto filho do casamento de Abraão com Quetura, a qual contraíra após a morte de Sara (Gn 25.1-6; Cr 1.32). Quando Moisés fugiu do Egito, foi Jetro quem o acolheu em sua casa, dando-lhe comida e trabalho e ainda a sua filha Zípora como esposa, com a qual teve dois filhos: Gérson e Eliezer (Êx 18.3-4; At 7.29). Não sabemos ao certo quando e nem o motivo pela qual Moisés enviara sua esposa Zípora e seus dois filhos de volta à casa de seu sogro, Jetro, em Midiã (Êx 18.2-4). Provavelmente, isto tenha acontecido naquela estalagem, quando eles estavam indo de volta para o Egito, e, o texto diz que o Senhor o “quis matar”. Naquele incidente Zípora tomou uma pedra, circuncidou o prepúcio de seu filho e lançou aos pés de Moisés e o acusou de esposo sanguinário (Êx 4.24-26). Depois deste incidente, não vemos mais Zípora e seus filhos seguindo com Moisés para o Egito. É provável que nesta ocasião Moisés a tenha enviado de volta para o seu sogro junto com os seus dois filhos. Agora, tempos depois, Jetro foi informado que Deus abençoara a missão de Moisés libertado os israelitas, e que eles estavam acampados junto ao monte de Deus (Monte Sinai) próximos de sua região (Êx 18.5-6). Sabiamente, Jetro toma Zípora e os seus filhos e vai ao encontro de Moisés e os entrega de volta, para mantê-los juntos e unidos nos restantes da longa jornada (Êx 18.2-5).

1.1 O encontro entre o sogro e o genro
O encontro de Jetro e Moisés apresenta um relacionamento sólido e digno de ser copiado em nossos dias. Moisés havia aprendido a conviver em família e seu sogro, além de conselheiro, era fiel amigo. A alegria de Moisés no reencontro com a família e a de Jetro ao saber de todo bem que o Senhor havia feito a Israel por mão de Moisés mostra uma comunhão maravilhosa, pouco vista em nossos dias (Êx 18.7, 8). Moisés também contava com o auxílio de seu sogro, pois Jetro cuidou de seus filhos e de sua esposa.

1.1 O encontro entre o sogro e o genro
Diferente dos dias atuais, onde sogra e nora ou sogro e genro são, às vezes, motivos de chacotas e brincadeiras. Aqui, sogro e genro se respeitavam. Ele nutriam entre si um relacionamento saudável (Ex 18.7). Para ambos este encontro foi exteriorizado pelos sentimentos de alegria, afetividade e respeito. Houve muita celebração no reencontro o que mostra que eles se davam muito bem e que havia reconhecimento de gratidão e respeito mútuo entre eles (Êx 18.6-9). Entretanto, nesse encontro com Moisés, Jetro, constatou que aquele, apesar de todos os feitos que Deus realizara através dele e de suas boas intenções, estava sob duas escalas de valores invertidas: a) separado e longe de sua família e por isso ele as trouxe de volta (Êx 18.5), b) carga de trabalho, além de suas possibilidades e por isso ele aconselhou sobre a descentralização (Êx 18.17). Com isto, queremos dizer, que a sabedoria do sogro não foi demonstrada apenas no conselho que ele deu ao genro sobre delegação de poder, mas também, ao levar de volta sua família. Certamente, ele também conhecia os princípios bíblicos os quais orientam que marido, mulher e filhos devam viver e permanecer juntos (Mc 10.6-9; 1 Co 7.5-6; 1 Tm 5.8).

1.2. O sacerdote líder.
Moisés teve um princípio de liderança muito árduo. Somente ele conhecia a Deus e todos o buscavam para saber qual seria o próximo passo a ser dado. Moisés se encontrava entre o esgotamento mental e a frustração daqueles que encaravam a fila e retornavam no outro dia na esperança de falar com ele. Estar com Moisés era para eles o objetivo da vida diária. Esses antigos escravos estavam acostumados a esse tipo de governo. Haviam aprendido a depender da autoridade centralizada durante algumas centenas de anos em que estiveram no Egito. Por outro lado, Jetro era um sacerdote de Midiã e sabia como manejar melhor um organismo religioso. Moisés tinha o chamado e a boa vontade, mas Jetro possuía a sabedoria e a experiência. Com sábios conselhos, Jetro instruiu seu atarefado genro no caminho da sabedoria (Êx 18.14).

1.2 O sacerdote e o líder
Jetro, o sacerdote, possuía sabedoria e experiência de como organizar e administrar bem os ofícios religiosos; Moisés, o líder, tinha o chamado e a boa vontade para executar os oráculos de Deus, mas lhe faltava ainda experiência para liderar uma multidão de mais ou menos 2,5 milhões de pessoas, entre homens, mulheres, crianças e estrangeiros (Dt 1.9-10; Êx 12.37-38), e resolver os problemas que iam surgindo e acumulando (Êx 18.13-14). Deus, além de chamar e vocacionar Moisés para um dos trabalhos mais importantes de toda história de Israel, falava com ele face a face. Mesmo assim, Moisés teve humildade em acatar os conselhos de seu sogro, o sacerdote, que foram de excelente valia para o desenrolar do seu ministério. Ele reconheceu que sozinho, não era capaz de cuidar do rebanho do Senhor (Êx 18.24). Sempre que necessário, Deus coloca pessoas sábias e espirituais em nossas vidas para nos auxiliar, pois sabe, que o líder cristão, por mais capacitado que seja, não conseguirá realizar suas atividades de liderança sem a ajuda de seus cooperadores. Lamentavelmente, há muitos, em nosso meio, que não tem a humildade de aceitar ajuda de seus auxiliares, muito menos receber conselhos que sugerem mudanças no seu modo de trabalhar e de fazer as coisas.

1.3. A visão descentralizadora de Jetro.
Jetro pôde observar com claridade que Moisés estava distorcendo a natureza de seu chamado como cabeça de Israel. Moisés havia consolidado seus dons espirituais juntamente com a tarefa de administração e as operações em um sistema gigantesco de burocracia espiritual. Jetro viu uma administração descentralizada, com uma divisão piedosa de trabalho, e apresentou uma saída: ele entendeu que a metodologia de Moisés era tanto nociva para ele quanto para o povo que liderava (Êx 18.17, 18). Moisés era um homem responsável, separado para um fim específico e dotado de uma unção extraordinária, mas, agindo sem o auxílio de outros, ele não somente sucumbiria, como também levaria consigo seus seguidores. Nem Jesus trabalhou sozinho. Centralizadores jamais produzem sucessores, esse é um mal que assola nossa geração.

1.3 A visão descentralizadora de Jetro
Jetro era um homem de visão e um exímio observador. Ele observou como Moisés se assentava e sozinho aconselhava o povo. Viu diante dele um homem trabalhando incansavelmente. Viu também o povo, em pé debaixo de um sol escaldante, numa fila interminável, aguardando para ser atendido (Êx 18.13-14). Com sua experiência e sabedoria ele percebeu que se Moisés continuasse executando as coisas daquele jeito, ele sofreria um terrível desgaste mental, físico e emocional. Isto, sem contar com os sentimentos de frustração e de outras consequências mais, advindas pelo fato de não poder resolver todos os problemas do seu povo. Continuar naquele ritmo poderia levá-lo a um fracasso, com seríssimas implicações ministeriais, sociais e familiares. Há muitos líderes e pastores, em nossos dias, que centralizam tanto o seu trabalho ministerial, que acabam se frustando e trazendo prejuízos ao seu ministério, à igreja e sobretudo aos seus familiares. Precisamos aprender com esta lição, que Deus pode usar outras pessoas para nos ajudar a carregar nossas cargas e executar o trabalho de uma forma melhor e com resultados mais significativos.

2. Os sábios conselhos de Jetro.
Sem perceber Moisés é observado por seu sogro Jetro, que notou a ineficiência de seu trabalho. O conceito de autoridade delegada de Jetro é sem dúvida um dos maiores fundamentos de liderança do mundo inteiro. Observemos o elemento principal desse estilo de liderança:

2. OS SÁBIOS CONSELHOS DE JETRO
Nenhum conselho será considerado sábio ou dito como bom se não trouxer advertências, benefícios, aperfeiçoamento, solução para o erro ou causar transformações. Os sábios conselhos de Jetro além de mudarem o rumo do povo de Israel, serviu de modelo de liderança e de descentralização que são utilizados até os dias de hoje. Seus conselhos revelaram a verdadeira sabedoria. Moisés como líder estava na incumbência de cuidar dos problemas sociais e espirituais de Israel. Por isso, na manhã seguinte, depois de uma noite de celebração e adoração (Êx 18.12), já antes de brotar os primeiros raios solares, lá estava Moisés iniciando suas atividades de intermediador dos oráculos de Deus, só indo terminar com o por do sol (Êx 18.13-14). Observando este procedimento, Jetro, faz alguns questionamentos: “Que é isto que tu fazes ao povo? Por que te assentas só, permanecendo todo o povo junto de ti desde a manhã até ao cair da tarde?” (Ex 18.14). Depois de ouvir as razões e motivos declarados por Moisés (Ex 18.15-16), com firmeza e segurança ele diz: “Não é bom o que fazes” (Êx 18.17). Uma das etapas mais difíceis em todo aconselhamento é o de ter que corrigir ou exortar, pois requer do conselheiro muita prudência, sabedoria e o bom senso no uso das palavras. Os sábios conselhos de Jetro estavam acompanhados de todos estes ingredientes.

2.1. O segredo de Jetro.
Antes da sugestão dada por Jetro para que Moisés constituísse líderes que o auxiliassem na tarefa divina, primeiro, Moisés deveria ensinar ao povo as ordenanças e leis para que pudessem entender “o caminho em que deveriam andar e a obra que deveriam fazer” (Êx 18.19, 20). A hierarquia de líderes delegados não funcionaria sem um fundamento exaustivo do povo na lei de Deus. Portanto, Jetro não coloca ênfase na estrutura de líderes, mas sim em primeiro estar focado no autogoverno do indivíduo debaixo da lei de Deus. Isso acontece hoje; em vez de os líderes se focarem no ensino e em projetar o caminho, eles projetam os benefícios de servir a Deus e primam pelo nome da organização quando o primeiro passo seria formar o caráter e dar sentido à vida, sem jamais oferecer uma religião.

2.1 O segredo de Jetro
A eficácia ou sucesso da descentralização não está apenas em delegar a alguém autoridade, mas principalmente, em preparar alguém com qualidades e características que possa exercer bem essa liderança. Na liderança cristã essas qualidades e características vão além de meras habilidades e capacidades técnicas para gerir. Os candidatos cristãos precisam da capacidade de autogovernar, liderar através do conhecimento e da experiencia tanto na Palavra como no relacionamento com Deus. Não basta ao líder cristão apenas conhecimentos e habilidades técnicas, mas conhecimento de Deus e de seus decretos. O desafio de Moisés, antes de dividir as tarefas entre os seus liderados, era, primeiro, ensinar o povo as leis e as ordenanças para que eles pudessem conhecer e entender os caminhos em que deveriam andar e a obra que deveriam fazer. Esse conhecimento seria primordial, pois além de capacitar as pessoas ao autogoverno, trariam como consequências naturais a prevenção e solução dos problemas, já que seriam possivelmente evitados e/ou facilmente resolvidos. Esse foi o segredo ensinado por Jetro a Moisés, antes dele escolher os seus auxiliares (Êx 18. 19-20).

2.2. Conhecendo a cartilha divina.
O alicerce que traria suporte e crescimento ao povo e uma liderança de sucesso para Moisés baseava-se no conhecimento da Palavra de Deus. Infelizmente nos encontramos em meio a uma geração cheia de metodologias e invenções que busca alcançar a pátria celestial por intermédio de fórmulas de crescimento, uma geração sem hábito de leitura e, por isso, limitada quanto a seu potencial e ao poder de Deus sobre si. A Bíblia nos ensina o motivo pelo qual o povo se perde: falta de conhecimento (Os 4.6). Também nos ensina porque erramos tanto (Mt 22,29). A ordem deixada por Jesus no momento de sua ascensão foi para fazer discípulos e guardar a Palavra (Mt 28.18-20). Jetro era experiente e sabia que conhecer a Deus e Sua vontade é também estar ciente do caminho que se deverá percorrer e da missão que se irá desenvolver.

2.2 Conhecendo a cartilha divina
Como é que alguém vai cuidar dos assuntos ou das coisas que pertencem a Deus se não O conhece e nem procura conhecer a sua Palavra? Através do profeta Oseias, Deus, estabelece um princípio que é aplicável hoje, tanto quanto foi para os daqueles tempos, quando assim mandou escreveu: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; uma vez que vocês ignoraram a lei do seu Deus, eu também ignorarei seus filhos(Os 4.6). Em Mateus 22.29 Jesus disse: “Errais não conhecendo as Escrituras e nem o poder de Deus”. Deus quer ser conhecido do seu povo e pelo seu povo. A falta do conhecimento de Deus é o único motivo que pode levar o povo de Deus à destruição. É por isso que Oseias ainda diz: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Os 6.3).

2.3. Homens de qualidade para liderar.
Jetro descreve as qualidades que tais homens deveriam possuir (Êx 18.21, 22). Estes desempenhariam as funções de julgar e ensinar de acordo com as instruções de Moisés. Para isso, deveriam ser tementes a Deus e o temor não seria apenas um sentimento, eles deveriam ter uma vida que refletisse esse temor. Sendo homens dignos de confiança e inimigos de ganhos desonestos, não deveriam apenas ser honestos, mas homens que possuíssem aversão a roubos, subornos, assim poderiam julgar retamente (Lv 19.15; Pv 1.7). Jetro aconselhou Moisés a designar chefes de mil, de cem, de cinquenta e de dez, ou seja, eles deveriam resolver questões mais simples numa instância menor e Moisés as mais complexas.

2.3 Homens de qualidade para liderar
No conselho, Jetro sugere a Moisés, que procure dentre todas as tribos, homens com as seguintes qualificações: capazes e responsáveis; tementes a Deus; que sejam honestos e dignos de confiança; homens de verdade, isto é, que deveriam falar a verdade, corajoso, destemido e ousados (Êx 18.21-22). O erro de muitos líderes, nos dias de hoje, é colocar pessoas para assumir uma função só para preencherem uma lacuna, ou porque são boazinhas, ou ainda, porque querem “prender” uma pessoa na igreja com um cargo ou função, sem que elas tenham as qualificações necessárias. O texto de referência diz que Moisés escolheu homens capazes e os pôs por cabeças sobre o povo(Êx 18.25).


3. Lições práticas.

As palavras de Jetro são palavras poderosas que, postas em prática, podem causar um grande impacto tanto em líderes quanto em seus liderados. A tônica é conhecer para ser responsável. Quando um povo está cheio de conhecimento, não dá trabalho a seus líderes, eles trabalham com seus líderes.

3. LIÇÕES PRÁTICAS
Os conselhos de Jetro dados a Moisés é uma lição que deveria ser aprendida e posto em prática por todos aqueles que ocupam posição de liderança. Os conselhos em si, já são na verdade, lições práticas. O que Moisés precisaria fazer era apenas algumas mudanças em seus procedimentos diários como, dividir com pessoas capazes e tementes a Deus as responsabilidades do ministério e do aconselhamento. Moisés não deixaria de ser o líder daquele povo. Ele, simplesmente, deveria criar equipes e distribuir as tarefas em pequenos, médios e grandes grupos, descentralizando e delegando os poderes de decisão a estes. Na prática, isto além de evitar os desgastes físicos e emocionais com as sobrecargas de trabalhos, ele e o povo ganharia tempo e celeridade na solução das causas e questões sociais e espirituais de pequeno e médio porte, bem como nas tomadas de decisões. Aquele que ouve um bom conselho e o coloca em prática, demonstra autocrítica, humildade e sabedoria. Foi o que Moisés fez (Dt 1.9-15).


3.1. Pessoas sábias planejam antes de agir.

O nome de Jetro significa “excelência”. Também chamado de Reuel (Êx 2.18, 22), ele era sacerdote e príncipe em Midiã. Considerado um dos primeiros consultores gerenciais da história, Jetro possuía três grandes qualidades: era um homem sábio, observador e hospitaleiro. As chamadas “leis de Jetro” influenciam ainda hoje líderes em todos os segmentos gerenciais. O que Jetro observou faltar em Moisés foi equilíbrio e seu conselho visava atingir exatamente essa área falha da vida de Moisés. Moisés não via o que fazia e precisava ser despertado. Às vezes, o Senhor coloca em nosso caminho pessoas como Jetro, que nos ajudarão a ajustar nossas vidas e, em nome de Deus, impulsionar-nos-ão a desenvolver nosso potencial, a aprender a planejar e avaliar as nossas decisões. O caminho apresentado por Jetro era seguro e bom para todos. Porém, de que adiantaria o conselho de Jetro se o coração de Moisés não fosse ensinável? Pessoas de coração obstinado sempre desprezam bons conselhos porque acham que o fazem é sempre o correto. Conselheiros são enviados, ouvir é uma decisão nossa! 

3.1 Pessoas sábias planejam antes de agir
Ao observar o contingente de pessoas, Jetro faz um planejamento estratégico para aquela realidade e orienta Moisés a escolher homens com um perfil de liderança e distribua com eles responsabilidades de acordo com a capacidade de cada um para liderar. Mesmo tendo certeza de que seu conselho era bom, Jetro ainda põe em submissão a Deus o seu plano (Êx 18.23). Ainda que os nossos planos e projetos pareçam ser o melhor, precisamos consultar a Deus sua aprovação final. Podemos observar aqui, que Jetro, além de um excelente estrategista, ele era ainda um homem equilibrado, observador, íntegro, de bom senso e conselheiro. Segundo o texto sagrado ele era ainda sacerdote e príncipe de Midiã (Êx 3.1; 18.1). Ele era também chamado ou conhecido por Reuel(Êx 2.18-21). Por conta do texto de Jz 4.11, alguns querem atribuir a ele, também, o nome de Hobabe, mas isto, não procede. Este equívoco pode ser explicado no fato de que o termo hebraico “chathan”, serve tanto para designar “sogro” como para designar “cunhado”. Se assim for, na hora de fazer a tradução do texto de Juízes 4.11, transcreveram este termo por sogro em relação a Hobabe. Mas, observando outros textos, podemos afirmar que Hobabe era de fato cunhado e não sogro de Moisés (Nm 10.29). Portanto, Hobabe e Jetro não podem ser a mesma pessoa.


3.2. Ensinar o caminho em que deve andar.

Durante sua vida, o tema mais mencionado por Moisés foi guardar os mandamentos do Senhor. Tudo o que aconteceu de ruim ao povo passou pela porta da desobediência. O grande foco do conselho de Jetro era padronizar o povo, dar a eles entendimento para que pudessem andar com suas próprias pernas (Êx 18.20). Ainda hoje as pessoas agem da mesma forma, vivem na dependência do “óleo ungido” sobre suas cabeças, de buscar alguém que Deus capacitou com dons para saber do seu amanhã, mas, quanto mais ouvem, menos praticam. Alguns esperam que “o homem de Deus” lhes imponha as mãos e lance uma palavra profética para mudar suas vidas, para lhes abrir as “portas do mundo espiritual”. No entanto, continuam ocos porque o que gera vida não é a mão alheia e sim a Palavra de Deus. Na verdade, não compreenderam esse requisito como fundamental e indispensável à vida cristã.

3.2 Ensinar o caminho em que deve andar
Outro grande foco do conselho de Jetro a Moisés era que este devia ensinar ao povo as leis e os decretos, mostrando-lhes como eles devem viver e o que devem fazer (Êx 18.19-20). Neste conselho, Jetro deixa subtendido que grande parte dos conflitos ocorridos entre o povo vinham à tona pelo fato de que cada um defendia suas próprias orientações e convicções. Ensinar o caminho que Deus desejava a eles e traçar suas diretrizes para um viver saudável era o que Moisés precisava realizar de imediato, segundo o conselho de Jetro (Êx 18.20). A maioria dos que frequentam gabinetes pastorais, em busca de soluções para os seus conflitos, são pessoas que tem pouco ou nenhum conhecimento da Palavra de Deus.


3.3. Homens selecionados.

A razão pela qual Moisés deveria estabelecer o povo na lei de Deus é que aprenderiam por si mesmos o caminho que Deus desejava que andassem e a obra que Ele esperava que fizessem. Então o povo faria juízos nos assuntos menores da vida cotidiana sem precisar visitar seus supervisores por qualquer situação ocorrida (Êx 18.21). A rede de líderes julgaria os assuntos menores, todavia, o povo também conheceria a lei e tudo ficaria mais fácil, pois todos estariam num mesmo nível de conhecimento. Um número sem fim daqueles que buscam seus líderes em gabinetes é sempre de pessoas que manuseiam a Bíblia e não são frequentes nos cultos. Isso é assustador em nossos dias.

3.3 Homens selecionados
Pelo tamanho e importância que tinha o ofício de julgar as mais diversas causas do povo de Deus, Jetro bem sabia que os cooperadores, não poderiam ser qualquer pessoa. Tinham de ser homens selecionados a dedos. Deveria ser uma escolha criteriosa analisando as qualificações morais e espirituais, bem como as aptidões individuais de cada um. O dever de procurar e eleger esses cooperadores era de Moisés, porém, ele já coloca em prática o principio da descentralização, quando escolhe aqueles que farão parte do primeiro escalão e delega ao povo a escolha dos demais que farão parte dos outros escalões (Êx 18.25; Dt 1.13). Como a Bíblia diz que havia 600.000 mil homens adultos com Moisés no deserto, sem contar mulheres e crianças (Êx 12.37; Nm 26.51). Um simples cálculo indica que não seria tarefa fácil, para Moisés, escolher a dedo e sozinho mais de 78.000 mil homens que fariam parte de sua estrutura organizacional, conforme foi recomendada por Jetro (Ex 18.21).


CONCLUSÃO

O líder cristão, por mais capacitado que seja, não conseguirá realizar suas tarefas sem a ajuda de auxiliares. Ninguém pode fazer a obra de Deus sozinho. O líder cristão precisa de conselheiros dados por Deus que o ajudem. Sigamos o exemplo de Moisés que, ouvindo sábios conselhos, conseguiu conduzir o povo de Deus à Terra Prometida.

CONCLUSÃO
Jetro, através de seus conselhos, apresentou um caminho seguro para Moisés, que exigiu dele decisões imediatas. Ao responder positivamente a tudo que acabara de ouvir, Moisés deu passos seguros em direção ao desenvolvimento de seu ministério. O resultado foram dias melhores não só para Moisés, mas também para todos. Todos nós, líder ou não, precisamos de conselheiros colocados por Deus, para nos ajudar. Interessante é que Deus sempre faz a sua parte colocando pessoas sábias, espirituais e equilibradas em nossas vidas para nos auxiliar. Duro, porém, é dizer que por causa de nossa arrogância, na maioria das vezes rejeitamos os sábios conselhos que vêm até nós. Sigamos o exemplo de Moisés que, ouvindo sábios conselhos, conduziu o povo de Deus à terra prometida.