Texto Áureo
“Guiaste o teu povo, como a um rebanho, pela mão de Moisés e de Arão.” Sl 77.20
Moisés teve o privilégio de guiar o povo hebreu, honra que seria lembrada de geração em geração.
Êx 16.4-7
4 Então, disse o SENHOR a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu ponha à prova se anda em minha lei ou não.
5 Dar-se-á que, ao sexto dia, prepararão o que colherem; e será o dobro do que colhem cada dia.
6 Então, disseram Moisés e Arão a todos os filhos de Israel: à tarde, sabereis que foi o SENHOR quem vos tirou da terra do Egito,
7 e, pela manhã, vereis a glória do SENHOR, porquanto ouviu as vossas murmurações; pois quem somos nós, para que murmureis contra nós?
Guiar o povo de Deus em meio ao deserto não foi uma tarefa fácil, mas Moisés pediu a ajuda do Eterno e, assim, foi capaz de prover as necessidades do povo. Suas virtudes, aliada à sua intimidade com Deus, foram essenciais para a condução dos filhos de Israel até a entrada da Terra Prometida.
INTRODUÇÃO
As dificuldades da caminhada no deserto são maiores do que podemos imaginar. Moisés com toda sua experiência adquirida, agora com oitenta anos de idade não teria alcançado êxito na sua missão se não fossem supridas as necessidades pela ajuda de Deus. O deserto era um lugar muito quente, estéril e vazio, não havia água nem alimentos suficientes. Nesse lugar os israelitas estiveram em perigo de morrer de fome e de sede; em perigo de ser atacados pelas tribos aguerridas e ferozes. Mas Deus os guiou os israelitas na escola preparatória do deserto, a fim de que as provações os disciplinassem e adestrassem para conquistarem a terra prometida. O povo não estava preparado para enfrentar as hostes de Canaã, nem estava pronto espiritualmente para servir ao Senhor. Embora tenham sido libertados, ainda tinha em seu interior o espírito de escravos. Deus estava ensinando que era preciso esquecer de vez o Egito e aprender a confiar e depender de Deus.
Todo o senso de orientação de Moisés procedeu de sua chamada e comunhão com Deus. Ele estava responsável não apenas em libertar do cativeiro os israelitas, mas conduzi-los pelo deserto até, finalmente, alcançarem a Canaã. De onde veio o senso de direção de Moisés? Como se comportou? É o que aprenderemos a seguir:
1. SEU SENSO DE ORIENTAÇÃO
Um homem da estirpe de Moisés passá tanto tempo cuidando de ovelhas no deserto pode parecer à razão humana uma estranha perda de tempo. No entanto, ele estava ali com Deus, e o tempo assim passado nunca é perdido. Foi junto com Deus que Moisés aprendeu a ser orientado. Não bastam apenas meras atividades para os verdadeiros servos de Cristo.O trabalho dignifica o homem, mas devemos separar tempo para estar em comunhão com Deus. O servo deve estar frequentemente na presença do seu mestre, a fim de poder saber o que deve fazer.
Moisés dá uma nota de explicação quanto à rota tomada por eles e os filhos de Israel (Êx 13.17). Os filisteus estavam muito bem preparados para a guerra, porem Israel não estava, e esse era o grande problema caso se enfrentassem. Outro objetivo dessa rota era a necessidade de que os hebreus, e os que com eles estavam, fossem fortalecidos e cristalizassem uma fé definitiva no Deus de Israel. Isso fica claro à medida em que eles vão caminhando, pois demonstram volubilidade ao desejarem retornar ao Egito. O Senhor sempre nos conduzirá pelo melhor caminho, mesmo que, aos nossos olhos, este seja incômodo, difícil e demorado. Ele conhece nossa estrutura e nosso amanhã (Sl 139).
1.1. A escolha da rota
"E aconteceu que, quando Faraó deixou ir o povo, Deus não os levou pelo caminho da terra dos filisteus, que estava mais perto; porque Deus disse: Para que, porventura, o povo não se arrependa, vendo a guerra, e tornem ao Egito. Mas Deus fez rodear o povo pelo caminho do deserto perto do Mar Vermelho" (Êx 13. 17-18). Por Sua infinita graça Deus ordenou as coisas de tal maneira para o Seu povo que eles não encontraram, ao princípio, provas demasiadamente difíceis que pudessem enfraquecer os corações e fazê-los retroceder. "O caminho do deserto" era uma rota muito mais demorada; mas Deus tinha várias lições importantes para ensinar ao Seu povo, as quais só podiam ser aprendidas no deserto. Mais tarde, este fato é recordado nas seguintes palavras: "E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o SENHOR,teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te tentar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos ou não. E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas que tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem. Nunca se envelheceu a tua veste sobre ti, nem se inchou o teu pé nestes quarenta anos" (Dt 8.2-4). Observe que estas preciosas lições nunca poderiam ser aprendidas no "caminho da terra dos filisteus".Deus desejava que os israelitas aprendessem a depender inteiramente Dele. Desde o momento em que Israel partiu do Egito, Deus começou a submetê-lo a uma série de provas, tendo em vista desenvolverem e fortalecer a sua fé. Não havia água nem alimentos. A única maneira de conseguir estas coisas era recebê-las do Senhor. Deus conduziu-os ao deserto para prová-los e trazer à luz o que havia em seus corações (Dt 8.2,3). Obedecer-lhe-iam ou não? As provas e aflições no deserto demonstrariam se o povo israelita creria ou não na onipotência, no cuidado e no amor de Deus.
A presença palpável de Deus foi demonstrada pela coluna de nuvem durante o dia e coluna de fogo a noite (Êx 13.21; Nm 9.16). a nuvem representava a constante presença de Deus sobre o Seu povo. Como no deserto a temperatura sofre variações, durante o dia, ela fazia o papel de sombra para refrigerá-los; à noite ela se tornava um aquecedor tanto para aquecê-los quanto para afugentar os animais selvagens. Os filhos de Israel sempre seguiam essa nuvem sobrenatural. Quando a nuvem se levantava sobre o tabernáculo, as pessoas arrancavam as estacas e a seguiam. E quando na nuvem parava, o povo também parava e armava suas tendas. Eles se moviam ou paravam de acordo com esse claro direcionamento dela. Os israelitas eram cuidadosos em mover-se apenas se a nuvem se movesse, porque sabiam que isso era a provisão de Deus (Nm 9.18-23).
1.2. Orientação e presença
"Assim, partiram de Sucote, e acamparam em Etã, à entrada do deserto. E o SENHOR ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem, para guiá-los pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo, para alumiá-los, para que caminhassem de dia e de noite. Nunca tirou de diante da face do povo a coluna de nuvem, de dia, nem a coluna de fogo, de noite" (Êx 13. 20 a 22). O Senhor não só escolheu o caminho para o Seu povo, como desceu para acompanhá-los e tornar-Se conhecido deles segundo as suas necessidades. Não somente os conduziu a salvo fora do Egito, como desceu e esteve juntamente com eles durante toda jornada. Deus sabia que a jornada era de sofrimento, perigosa e árdua. Assim, Deus quis ser seu companheiro e participar de todos os seus perigos e dores para ajudá-los; sim, "Ele foi adiante deles"; foi "guia, defesa, e glória, para libertá-los de todo o temor".
Atualmente existe uma grande quantidade de cristãos que está tomando decisões sem consultar o Espírito Santo. Muitos estão agindo com medo e desespero, sem fé nas promessas de Deus. Eles simplesmente decidem o que fazer por conta própria, baseados no que pensam ser o melhor para suas vidas. O que acontece quando os servos de Deus operam fora do completo governo divino? Quando planejam seus próprios planos, recusando render suas vidas à liderança e direção do Espírito Santo? Todos nós sabemos que o resultado é sempre sofrimento, dores e muita confusão. O senso de orientação de Moisés vinha pelo fato de ele ouvir Deus falar. Seus ouvidos estavam abertos e sua pessoa atenta a obedecer às orientações de Deus em meio aqueles desafios (Êx 15.26).
1.3. Ouvindo Deus
Se o povo tivesse dado ouvido à voz de Deus, sido obediênte e caminhado humildemente, confiantes e alegres, a sua marcha teria sido vitoriosa desde o princípio ao fim. Com o Senhor adiante deles, nenhum poder podia ter interrompido a sua marcha triunfante desde o Egito a Canaã. As colunas de nuvem e de fogo constituem exemplos de teofania uma “manifestação física de Deus”. Desse modo, Deus iluminou o caminho de Israel e o protegeu dos inimigos. Também providenciou segurança e controlou os movimentos do seu povo, inspirando o ardente zelo que este deveria ter pelo seu Deus. Se desejarmos que Deus cuide de nos, precisamos nos submeter a sua direção.
Moisés enfrentou um grande desfio ao guiar o povo através do deserto: a provisão de suas necessidades. Mais difícil que salvá-los das garras de Faraó era ter que alimentá-los. Apenas saber para onde iriam não era o suficiente, eles tinham de providenciar água e comida. Vejamos como ele resolveu essas questões.
2. O TRABALHO EM BUSCA DA PROVISÃO
Finalmente o povo é liberto da escravidão no Egito, todavia, a tarefa está apenas começando. Agora, Moisés tinha a responsabilidade de não somente guiar o povo pelo deserto, mas de prover as suas necessidades. No deserto tudo é escasso, não se encontrava água facilmente para saciar a sede do povo, como providenciar comida para tanta gente onde não tinha quase nada? Além disso, o povo ao enfrentar as primeiras provações começa a murmurar contra o servo do Senhor. Estava na hora de esquecer a fartura do Egito e começar uma nova vida: aprender a depender do alimento que Deus prover para aqueles que Nele põem sua confiança.
Existe um paralelo perfeito entre a caminhada do povo de Israel até a terra prometida e a Igreja (Êx 15.22-27). O caminho de três dias nos fala profeticamente da morte e ressurreição do Senhor Jesus. Após três dias de caminhada, o suprimento acabou e o Senhor orienta a Moisés para que tomasse o lenho e jogasse sobre as águas; e a água amarga se tornaria em água doce (Êx 15.25). Esse ato representa profeticamente a amargura do pecado do homem que estava sobre Jesus quando tomou o nosso lugar na cruz do Calvário, levando sobre si a amargura da morte (IS 53.4). O Senhor mostrou a Moisés o lenho que seria usado para transformar a água amarga (figura da morte) em doce (a vida), mostrando a participação da Trindade no projeto da salvação, ou seja, o Pai, na eternidade, orienta a Moisés (Espírito Santo) para que usasse o recurso que Deus preparou, ou seja, o lenho, que é a figura de Jesus Cristo homem (o Filho). O lenho não tinha valor algum aos olhos da razão humana, era desprezível, mas trazia consigo o extraordinário poder da transformação (Is 53.20).
2.1. Mara e a transformação profética
A caminhada de Israel estava apenas no início, até este ponto as coisas estava dando certo. Terríveis juízos haviam caído sobre o Egito, mas Israel fora perfeitamente livre; o exército do Egito jazia morto nas praias do mar, mas Israel estava em triunfo. Mas, enfim, o aspecto das coisas depressa mudou! Os hinos de louvor foram depressa substituídos pelas palavras de descontentamento. "Então, chegaram a Mara; mas não puderam beber as águas de Mara, porque eram amargas: por isso, chamou-se o seu nome Mara. E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber (Êx 15. 23 a 24).“E toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e contra Arão no deserto”. E os filhos de Israel disseram-lhes:Quem dera que nós morrêssemos pela mão do SENHOR na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, quando comíamos pão até fartar! Porque nos tendes tirado para este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão (Êx 16:2-3).Eis aqui as provações do deserto.As águas de Mara puseram à prova o coração de Israel e mostraram o seu espírito murmurador "Que havemos de comer" e "que havemos de beber”; porém, Deus mostrou-lhes que não havia amargura que Ele não pudesse dulcificar com a provisão da Sua graça: “...e o SENHORmostrou-lhe um lenho que lançou nas águas, e as águas se tornaram doces: ali lhes deu estatutos e uma ordenação, e ali os provou". Observe a maravilhosa figura d'Aquele que foi, em graça infinita, lançado às águas da morte, para que essas águas nada mais nos pudessem dar senão doçura, para todo o sempre. Verdadeiramente, podemos dizer: "Na verdade já passou a amargura da morte", e nada mais nos resta senão as doçuras eternas da ressurreição.
2.2. Maná, o pão sobrenatural.
A escravidão produz um ritmo costumeiro no ser humano denominado de “institucionalização”. É muito comum um criminoso sair em condicional e tornar a cometer os mesmos erros. Em muitos casos, eles cometem um crime na presença da polícia e, mesmo sabendo que há câmeras que possam captar sua imagem, eles não se incomodam em esconder o rosto. Isso parece loucura, mas a “instituição” mudou todos os seus hábitos e, por isso, eles não funcionam mais como pessoas livres na sociedade. De modo semelhante, o povo viveu quatrocentos e trinta anos no Egito e a “instituição” já dominava seus hábitos. No decorrer de toda sua caminhada, eles sempre estavam ameaçando voltar ao Egito e reclamavam por qualquer situação. Deus usou o método da dependência, o qual incluía uma dieta, onde a comida terrena deveria ser substituída pela celestial, trabalhando neles de dentro para fora. Todavia, nem eles nem seus pais jamais puderam compreender o privilégio daquela comida (Dt 8.3).
2.2. Maná, o pão sobrenatural
Observe como Deus supriu as necessidades de seu povo, a provisão do maná foi um fato completamente milagroso. ”Chovia pão do céu” (Êx 16.4). Durante a peregrinação no deserto o maná caía todas as noites, juntamente com o orvalho. Deus deseja ensinar a seu povo, por meio do maná, a confiar nele como provedor de seu sustento diário e a não se preocupar com o dia de amanhã. Deus provia o maná cada vez para apenas um dia, exceto na véspera do sábado. O maná é um símbolo profético de Cristo, o pão verdadeiro (João 6.32-35). Assim como o maná, Cristo, que veio do céu, tem de ser recolhido ou recebido cedo na vida (Êxodo 16.21; II Coríntios 6.2), tem de ser comido ou recebido pela fé para tornar-se parte da pessoa que o come. O maná era branco e doce; da mesma maneira Cristo é doce e puro para a alma (Salmo 34.8). Por sua vez, Cristo não dá vida a uma nação durante quarenta anos somente, mas a todos os que Nele crêem Ele concede a vida eterna.
Nada era por acaso no deserto e apesar de serem escravos no Egito havia nos israelitas uma arrogância misturada a acomodação. O Egito lhes havia doutrinado a uma forma de vida em nível de extinção, havia neles um misto de revolta e insubordinação que aflorou tremendamente no deserto. A liberdade de Israel findaria em Canaã, mas chegara terra exigia uma completa descontaminação e o deserto foi o meio utilizado por Deus para todo o ego de suas vidas fosse exposto e corrigido para se tornarem dignos da salvação recebida (Dt 8.2). Eles pediram carne e o Senhor lhes atendeu. O Senhor queria que entendessem que o mesmo poder demonstrado sobre as forças da natureza no Egito para libertá-los era o que também estava naquele deserto para supri-los.
2.3. Codornizes pela providência divina
Todas as manhas, os israelitas levantavam as portas de suas tendas e presenciavam um milagre. O chão ficava coberto de maná, um alimento do céu. Porém, isto se tornou insuficiente. Ao sentirem fome no deserto, os israelitas começaram a expressar seus lamentos e reclamaram com Moises: “Quem nos dará carne a comer”?Enquanto recordavam da boa comida que tinham no Egito. Deus atendeu ao pedido de seu povo, mas o preço foi alto: uma praga atingiu o acampamento (Nm 11.18-20, 31-34). Esquecendo-se da aflição no Egito, queriam voltar para onde tinham alimento em abundância. As queixas eram dirigidas contra Moisés, porém em realidade murmuravam contra o Senhor (Êx 16.8). Diante de suas queixas, por Sua graça e providência, Deus proveu codornizes. O povo precisava conhecer mais o Senhor, pois quando Deus visitou e redimiu o Seu povo e os tirou da terra do Egito, não foi, certamente, com o propósito de deixá-los morrer de fome e de sede no deserto. Eles deviam saber isto. Deviam ter confiado e andado em Sua plena confiança. Afinal, foi Ele que os libertou da escravidão de Faraó frente à terriveis milagres.
3. Virtudes práticas.
Observemos agora três virtudes práticas na vida de Moisés, essenciais para aquele momento. Tais atributos são fundamentais à vida cristã e para todo líder chamado por Deus. Vejamos sua importância.
3. VIRTUDES PRÁTICAS
Moisés aprendeu a confiar inteiramente em Deus, foi à intimidade de seu relacionamento que o credenciou de virtudes práticas para o êxito de sua missão, Moisés era obediente à voz do Senhor, vivia inteiramente em Sua dependência, na sabedoria e direção de Deus. Era um homem cheio de qualidade moral, tinha uma disposição firme para fazer o bem, com o tempo tornou-se um homem prudente e era cheio da graça santificante de Deus, por causa de sua fé, entregou-se inteiramente a Deus para fazer Sua vontade.
3.1. Senso de dependência.
A vida prática de Moisés é uma eterna lição de dependência. O quebrantamento realizado por Deus na vida do libertador foi tão incisivo que Moisés não atuava sem antes perguntar ao Senhor o que fazer (Êx 33.12-15). É claro que, até mesmo para um homem de sua estirpe, era impossível estar diante de um povo obstinado como Israel sem cometer deslizes. Moisés estava consciente de que, sem a presença de Deus na sua vida, não poderia percorrer o caminho que o conduziria ao livramento (Êx 33.15). Este é o grande dilema dos cristãos hoje em dia: as pessoas querem andar à sua vontade, sozinhas, sem a presença de alguém que os comprometa ou controle os seus passos e suas ações. A presença do Senhor significa comunhão, segurança e descanso, mas também assegura-nos a vitória sobre os nossos inimigos (Êx 14.19).
3.1. Senso de dependência
A humildade de uma pessoa manifes-tar-se-á na permanência de viver na simples dependência de Deus. Deus não nos chama para o serviço com base na nossa capacidade, mas, sim, na Sua; Todo o poder pertence a Deus, o Criador não obrigará ninguém a ocupar um lugar de honra, se não confiar em Si para mantê-lo Nele. Comentadores, antigos e modernos consideram quase unanimemente, que os atos de oração de Moisés expressavam atitudes de dependência em Deus. Ele sabia que Israel não tinha capacidade para vencer as batalhas por suas próprias forças, mas só alcançaria a vitória pelo poder de Deus, que viria do alto por meio da oração e atitudes.Todo sucesso que os israelitas obtiveram foi por causa de Sua presença que encorajava, dava segurança e certeza da vitória para Seu povo.
3.2. Paciência nas adversidades.
Todos nós gostaríamos de um relacionamento com o Senhor isento de tribulações, mas essa sempre foi uma exigência da escolha formadora divina (Rm 5.3-5). As idas e vindas de Moisés diante de Faraó poderiam ter sido evitadas. Deus jamais precisou de tanto rodeio para operar. Havia a necessidade de uma pedagogia insistente e progressiva para o ensino de todo o mundo através daqueles fatos. Isso exigiu de Moisés muita espera e paciência. Na relação descrita por Paulo (Rm 5.3-5), o que gera a paciência é a tribulação, ou seja, não existirão pessoas pacientes que não sejam antes submetidas ao terror. Essa paciência vai gerar experiência. Entenda que não é o tempo que gera experiência, a paciência é gerada pela tribulação. Por fim, o resultado do sofrimento não é a incredulidade ou o desânimo, mas sim a esperança. Para acreditar naquilo que não se vê, é necessário trilhar um caminho de tribulação.
3.2. Paciência nas adversidades
A paciência não acontece da noite para o dia na vida de um crente. O poder e a bondade de Deus são muito importantes para o desenvolvimento da paciência em Seus filhos. (Cl 1.11) nos diz que somos fortalecidos, “segundo a força da sua glória, em toda a paciência, e longanimidade com gozo”, enquanto Tiago (1.3-4) nos encoraja, a saber, que adversidades são a forma que Deus usa para aperfeiçoar nossa paciência. A adversidade que Moisés passou pelo deserto, o tornou muito paciente. Há na Bíblia muitos exemplos de pessoas cuja paciência foi característica de sua caminhada com Deus. Tiago nos aponta aos profetas: “Meus irmãos, tomai, por exemplo, de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor”(Tiago 5:10). Ele também se refere à Jó, cuja perseverança foi recompensada: “Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso” (Tiago 5:11). O apóstolo Paulo disse que devemos superar o sofrimento para sermos aprovados por Deus. Isso significa que experimentaremos adversidades que nos farão crescer. Devemos nos alegrar no sofrimento, não por gostarmos da dor ou por negarmos seu drama, mas porque sabemos que Deus usa as dificuldades da vida e os ataques de Satanás para edificar o nosso caráter. Os problemas com que nos defrontamos inesperadamente desenvolvem nossa perseverança, que, por sua vez, fortalece nosso caráter, aprofunda nossa confiança em Deus e nos proporciona maior confiança sobre o futuro. (ver Tg 1.2-4; 1 Pe 1.6,7).
Na jornada de Moisés com os filhos de Israel pelo deserto quase nada se repetia. Cada situação tinha um modo peculiar de ser resolvido e isso exigia uma sensibilidade bem apurada para cada uma delas, tanto em relação às provisões, da organização da adoração, quanto às questões jurídicas, etc. Moisés tinha como função principal ser profeta do senhor, mas esse encargo se desdobrava em vários outros. Tudo isso porque, em vez de cooperar com ele, o povo era totalmente dependente de seu agir. Deus sempre apresentou coisas novas a Moisés. Devemos tomar como lição que certas coisas na obra de Deus não devem ser como carimbos com imagem fixa. Existem coisas que utilizamos em nosso tempo que foram apenas uma figura do que passou. Sendo assim, estejamos sensíveis para entender que não podemos acender a fogueira de hoje com as cinzas de ontem.
3.3. Sensibilidade para a situação
É quando os filhos de Deus se encontram nos maiores apertos e dificuldades que têm o privilégio de ver as mais preciosas manifestações do caráter e da atividade de Deus; e é por esta razão que Ele os coloca fraquetemente numa situação de prova, pois as provas faz a pessoa a desenvolver sensibilidade e buscar meios para resolvê-los.A vida no deserto era cheia de imprevistos, cada dia o povo deparava-se com algo inédito. Moisés tinha a sensibilidade para agir de acordo com a situação, sabia discernir cada problema que surgia, a vida no deserto treinou Moisés a ser um verdadeiro líder. Foi na escola do deserto que Deus preparou Moisés, ele aprendeu a depender de Deus e adquiriu habilidades para lidar com novas situações. Todavia, Moisés sabia que Deus usava as provações a fim de poder mostrar-se de um modo explêndido ao Seu povo. Moisés era o líder, mas era Deus que verdadeiramente estava no controle.
CONCLUSÃO
Guiar o povo segundo a vontade de Deus no deserto foi uma tarefa hercúlea para Moisés, o deserto foi o melhor lugar para que os filhos de Israel fossem reeducados para um autoconhecimento, conhecimento da vontade de Deus e a cristalização de uma adoração exclusiva ao Deus vivo.
CONCLUSÃO
Quando Deus chamou Moises para libertar o povo, ele apresentou desculpas porque não se sentia adequado para o trabalho. Mas Deus não estava pedindo que Moises trabalhasse sozinho; Ele ofereceu recursos para ajudá-lo. Deus costuma nos chamar para realizar tarefas aparentemente muito difíceis, mas não nos pede que as realizemos sozinhos Por isso não devemos nos esconder atrás de nossas incapacidades. Mas devemos visualizar os grandes recursos de Deus disponíveis. Não existe problema grande demais para o nosso Deus; pelo contrário, quanto maior é a adversidade, tanto mais lugar há para Ele agir no Seu caráter de Deus de toda a graça e poder. Sem dúvida, a posição de Israel desde o início da escravidão no Egitoera de grande provação. Porém,a verdade é que o Criador dos céus e da terra estava ali, e eles apenas tinham que recorrer a Ele para que fossem libertos.